19/05/2009

Joalheria Art Déco

Cartier



A Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas de 1925 em Paris estabeleceu um novo estilo para o Modernismo, que tinha nas formas geométricas e abstratas a expressão maior do design do movimento.

A Primeira Guerra Mundial interrompeu a criação joalheira e quando o conflito acabou, uma das consequências do mesmo foi uma completa alteração nos valores, tradições e costumes. A moda também sofreu uma enorme mudança, acarretada também pela mudança do papel da mulher na sociedade ocidental, mudança esta impulsionada pela necessidade das mulheres terem ocupado o lugar dos homens no trabalho durante a guerra. Começavam os chamados “loucos anos 1920”.
Os vestidos fluidos, de cintura baixa e sem mangas próprios da moda do período pós-guerra eram perfeitos para as jóias Art Déco, geométricas, lineares e com um contraste de cores nunca visto antes. Devido ao consumo desenfreado, fruto da emancipação feminina e também do alívio trazido pela paz conseguida no Tratado de Versalhes, as vendas de jóias alcançaram patamares recordes.

O bracelete pode ser considerado a jóia mais usada do período Art Déco e foram confeccionados em inúmeros designs diferentes, geralmente decorados com diamantes em lapidações carré , rubis naturais e sintéticos e safiras.
A gema mais popular do período foi o diamante. Rubis, safiras, ônix, Esmeraldas, corais, marfins, jades, madrepérolas e cristais-de-quartzo foram também muito utilizados na decoração das jóias Art Déco e, frequentemente, serviam de moldura ao diamante. Para esta gema predileta, as lapidações geométricas eram as favoritas: baguete, triangular e esmeralda. O grande aumento da produção de pérolas cultivadas fez com que a pérola passasse a ser uma gema mais acessível à classe média e faziam parte dos trajes de noite, em colares usados ao pescoço ou torcidos à volta da cintura. O metal mais utilizado foi a platina, além do ouro branco e da prata. Os vestidos de noite, com alças finas e costas nuas ficavam perfeitos com longos colares de pérolas e sautoirs. Os broches eram desenhados para serem usados aos pares, nos vestidos e usou-se muito também o broche em cintos, lapelas de casacos, bolsas, sapatos e chapéus.
Os motivos na joalheria Art Déco eram caracterizados por designs geométricos, diversas combinações de cores criando contrastes e padrões abstratos. Em 1922, a descoberta da tumba do faraó Tutancâmon serviu de inspiração para o período, assim como o Cubismo, as artes persa, africanas e orientais, além do Jugendstil.
A queda da Bolsa de Nova York em 1929, seguida da Grande Depressão, pôs fim aos “loucos anos 1920” e ao delicado e geométrico design Art Déco.


14/04/2009

A Simbologia na Joalheria Egípcia

Foto J.Bodsworth


Foto Museu Metropolitano de Nova York


A ornamentação das jóias egípcias era grandemente composta por símbolos que possuíam nomes e continham significados, sendo esta uma forma de expressão muito estreitamente ligada à simbologia dos hieróglifos. O escaravelho, o nó de Ísis, a flor de lótus, o olho de Horus ou udjat, a cruz ansata ou ankh, o falcão, a serpente e a esfinge são todos motivos decorativos carregados de simbologia religiosa.

O trabalho dos ourives egípcios era dominado pelo uso de amuletos. Apesar do repertório limitado de motivos decorativos, a criatividade, o domínio de técnicas de ourivesaria, o uso de cores fortes e a repetição de formas e desenhos mostram a maestria dos ourives, que confeccionavam jóias contendo mais do que um simples efeito decorativo: os motivos possuíam significados religiosos ou mágicos.

O motivo ou símbolo decorativo mais comum era o escaravelho, que significava ao mesmo tempo o sol e a criação. A cruz ansata, ou ankh, foi um dos mais importantes símbolos da cultura egípcia. Possívelmente surgido na Quinta Dinastia (2.498-2.345 aC), o ankh consistia em um hieróglifo representando a regeneração e a vida eterna e a idéia expressa em sua simbologia era a da força da vida reinando sobre a superfície da matéria inerte. O olho udjat (olho do deus Horus) protegia contra a inveja e as flores de lótus simbolizavam ressurreição. Os motivos decorativos na joalheria egípcia também incluíam figuras de deidades variadas, hieróglifos e nós.

O enorme simbolismo das jóias antigas egípcias também se refletia no uso de determinadas cores. De acordo com o Livro dos Mortos, sabemos que o azul-escuro representava o céu quando noite, o verde a ressurreição e a renovação, e o vermelho o sangue, a energia e a vida.



09/03/2009

O Tesouro Maikop






Fotos BCE



O Tesouro de Maikop é a maior coleção arqueológica mundial na região que compreende a costa norte do Mar Negro e o nordeste do Cáucaso. Mais de 2.000 peças, que abrangem um período de mais de 4.500 anos ajudam a compreender a história das tribos nômades desta parte do mundo. A grande maioria das peças data circa 3500 aC , apesar de existirem outras peças mais antigas. As peças mais novas do tesouro datam do século XIV.

Cronologicamente, a Cultura Maikop, da qual a coleção conhecida como Tesouro de Maikop é considerada sua melhor representante em termos arqueológicos, pode ser dividida da seguinte forma:

1.Período Cita ( 6000-4000 AC)

2.Idade do Bronze (3000- 2.000 AC)

3. Período Sármata (séculos II – IV )

4. Idade Média ( séculos VII- XIV)

O tesouro atualmente se encontra no Museu Nacional e no Museu da Pré-História, ambos em Berlim, Alemanha e nos EUA, no Museu Penn da Universidade da Pensilvânia e no Museu Metropolitano de Nova York.

A descoberta do tesouro se deve a M.A.Merle de Massoneau, fundador do Banco do Oriente em Paris e que antes trabalhou durante quase duas décadas como diretor das vinícolas imperiais russas do czar Nicolau II na Criméia e na região do Cáucaso. Ao longo deste tempo, de Massoneau reuniu uma enorme e incrível coleção.

Mais de cem anos atrás de Massoneau começou a sua coleção a qual somente na década de 30 do século passado encontrou seus donos permanentes nos museus já citados, tornando-os os maiores possuidores de antiguidades da Europa Oriental fora da Rússia.

Infelizmente, porém, vários objetos que permaneceram em solo russo sofreram danos ou simplesmente desapareceram durante a II Guerra Mundial, notadamente os itens encontrados nas tumbas reais citas de Aleksan-dropol, Chmurev e Mordvinovskii e que estavam guardados no Museu de História de Kharkov e no Museu Nacional de História em Kiev, ambos na Ucrânia,. Também objetos guardados no Museu Nacional de Berlim foram roubados, quebrados ou sofreram com o fogo, durante o bombardeio da cidade pelos Aliados ocorrido em 1944.

02/02/2009

O Tesouro de Nimrud



Fotos Noreen Feeney, Iraq Museum International


O tesouro, que possui mais de 2.800 de história( datando entre os séculos VIII e XIV aC), foi encontrado em tumbas perto do antigo harém do palácio assírio da antiga cidade de Kalhu, mais tarde chamada Nimrud, às margens do rio Tigre, norte do Iraque. O sítio arqueológico encontra-se perto da atual cidade iraquiana de Mossul e é, praticamente, o único tesouro assírio jamais encontrado com peças intactas, já que a quase totalidade das jóias assírias foi derretida ou roubada ao longo dos séculos.

Antes do tesouro ser encontrado, a única maneira de se ter uma idéia de como seria a joalheria assíria era através das representações em relevo encontradas em antigas edificações assírias. O tesouro consiste de 613 peças em ouro e prata dentre as quais estão coroas, elmos, diademas, brincos, colares, amuletos, anéis, além de vasilhames feitos em cristal-de-rocha finamente lapidados, e outros feitos em ouro.
Várias jóias ainda possuem as gemas empregadas na sua decoração.

O tesouro, descoberto em 1988 pelo arqueologista iraquiano Muzahim Mahmud e sua equipe, demorou dois anos para ser totalmente desvendado e faz parte do sítio arqueológico de Nínive, que contém 750 hectares e é considerado o maior do Oriente. O sítio arqueológico foi escavado a primeira vez em 1845 pelo arqueólogo britânico Henry Austen Layard, trabalho que durou até 1851 e revelou ao mundo esculturas (algumas colossais), baixos relevos e diversos objetos e esculturas em mármore. Vários objetos e esculturas foram levados para o Museu Britânico de Londres, onde estão até hoje.

Dentre as tumbas encontradas por Mahmud e sua equipe está a de Lullissu, rainha de Assurbanipal II, constructor do palácio. Em uma outra tumba, também de uma rainha, está a inscrição que ameaça a quem profanar as tumbas: "que seu espírito vague sedento". Em somente uma das tumbas foram encontrados aproximadamente 22,50 quilos de ouro e prata em peças diversas.

Anos trás, quando o governante de então do Iraque Saddam Hussein invadiu o vizinho Kuwait em agosto de 1990, teve como resposta quase imediata o envolvimento dos Estados Unidos da América no conflito. O tesouro foi então escondido no mais secreto e seguro cofre nos porões do Banco Central iraquiano, mas durante o conflito foi inundado devido ao rompimento de canos de esgoto causado pela destruição de parte do prédio do banco feita por um míssil norte-americano.

Em 2003 o Iraque foi invadido e ocupado pelo exército dos EUA. Dizem especialistas que milhares de objetos foram roubados durante o processo de ocupação, e estão até hoje desaparecidos. Era grande a preocupação sobre o paradeiro do tesouro mas, pouco tempo depois do estabelecimento das forças de ocupação americanas no Iraque, arqueólogos iraquianos e funcionários do Museu de Bagdá, assistidos por representantes da revista National Geographic e por membros do governo e do exército dos EUA, retiraram dois milhões de litros de água do cofre e encontraram as peças do tesouro dentro de várias caixas de metal fechadas com cadeados. A água infiltrou-se em algumas caixas, mas nada que tenha deteriorado efetivamente o conteúdo das mesmas.

Ao serem abertas, revelaram as magníficas peças do tesouro da realeza assíria. Retiradas, as peças foram devidamente limpas e voltaram a integrar o acervo em exposição do Museu de Bagdá, pertencente ao povo iraquiano.

O tesouro de Nimrud é comparado em esplendor ao do faraó Tutankamon.







18/12/2008

Joalheria Fenícia








Os fenícios foram famosos na Antiguidade por seu trabalho artístico superior em ourivesaria assim como também em marfim, vidro, terracota, madeira, pedra, além da tecelagem. Exímios navegantes e negociantes, os fenícios souberam "emprestar" a arte e os processos de confecção de inúmeros povos com os quais tiveram contato em suas rotas de comércio.

Os artesãos fenícios se preocupavam mais com o impacto visual da peça do que com aspectos estilísticos. A arte que produziram tinha não só propósitos comerciais, mas também religiosos e, além do impacto visual, procurava transmitir idéias e conceitos.

A maioria dos objetos fenícios que chegaram até nossos dias, assim como os de outras civilizações já desaparecidas, pertencem à sítios arqueológicos de contexto funerário, como tumbas, cemitérios ou templos. Nas antigas tumbas fenícias já descobertas foram encontradas jóias em ouro, prata e gemas, escaravelhos e outros objetos simbólicos ou religiosos feitos em vidro ou terracota, tigelas de metal (ouro, prata e bronze) e também em terracota, lindas caixas decoradas em marfim, cosméticos e outros itens que denotam o status social do ocupante da tumba. Uma enorme quantidade destes objetos possui tamanho pequeno. Objetos em madeira decorada ou tecidos são itens muito raros em achados arqueológicos nos sítios fenícios, estando, porém documentados em diversos escritos que foram descobertos, onde foram detalhadas as trocas comerciais entre comerciantes fenícios e os de outros povos.

O comércio foi o grande fator expansionista da arte fenícia. Por volta do ano 1.000 AC, mercadorias fenícias podiam ser encontradas em diversos e distantes pontos do mar Mediterrâneo e influenciaram culturas como a grega, a etrusca, a assíria bem como povos habitantes do norte da África e da península ibérica.

Poucos sítios arqueológicos da antiga Fenícia (parte do Líbano atual) foram adequadamente escavados, como os de Sarepta (atual Sarafand). A significante maioria dos achados arqueológicos fenícios veio de colônias fenícias ou entrepostos comerciais situados na Espanha, Sardenha, Sicília e Tunísia. A maioria destes objetos data entre os séculos VII e II AC, mas foram também encontradas peças situadas entre os séculos IX e VIII AC.

A arte fenícia era conservadora por natureza. Sendo assim, designs e motivos decorativos foram repetidos por séculos. Pode-se considerar que o ecletismo é a grande marca da arte fenícia, já que combinaram, de forma pouco usual, variados padrões decorativos e designs de diferentes culturas, sem preocupação com simbologias religiosas, por exemplo.

Os artesãos fenícios utilizaram com habilidade elementos egípcios, gregos, assírios e outros em suas concepções artísticas, das cores escolhidas aos designs e à combinação de estilos e motivos decorativos. Por vezes, simplesmente imitavam estilos de outras culturas sem modificá-los, o que em alguns achados arqueológicos foi difícil reconhecer o que era autêntico de uma determinada cultura do que era "cópia" fenícia. É importante notar que todas as culturas existentes, já desaparecidas ou não, costumavam "emprestar" ou inspirar-se em fontes diferentes da sua própria cultura.

03/11/2008

O Diamante Azul Wittelsbach

Las Meninas, Diego Velásquez


Foto AFP




Com uma história que data do século XVII e originário da Índia (a principal fonte de diamantes azuis na Índia situa-se na região de Golconda, Andhra Pradesh), o diamante azul de cor intensa e com diâmetro de 24.40 mm, possui lapidação fancy (fantasia), com 82 facetas lapidadas em formato pouco usual: as facetas principais da coroa da gema são separadas verticalmente por outras secundárias e o pavilhão possui 16 facetas estreitas arranjadas aos pares que irradiam da ponta inferior (também chamada de culaça ou pinhão). O Wittelsbach é o terceiro maior diamante azul do mundo.

Os primeiros registros do Wittelsbach na Europa datam da segunda metade do século XVII. Em 1666, o rei espanhol Felipe IV incluiu o diamante como parte do dote de sua filha Margarida Teresa - retratada quando criança no famoso quadro Las Meninas, obra magistral do pintor espanhol Diego Velásquez (1599- 1660)- quando do seu casamento com Leopoldo I da Áustria, também sagrado imperador romano-germânico. Além do diamante azul, o dote da princesa incluía jóias e outras gemas vindas também da Índia e de Portugal. Margarida Teresa faleceu sete anos depois do casamento, em 1673. O imperador logo se casou com a princesa Claudia, do ramo austríaco dos Habsburgos. Mas foi seu terceiro casamento, em 1676, com Eleonora Madalena, filha do Eleitor do Palatinado, o mais feliz: tiveram 10 filhos, incluindo os futuros imperadores José I e Carlos VI.

Com a morte de Margarida Teresa, o diamante passou para a posse do imperador e, em um documento datado de 1673, o Wittelsbach é listado como centro de um grande broche adornado com diamantes. Leopoldo I presenteou com todas as jóias de sua primeira esposa a terceira que, ao falecer em 1720, deixou em testamento uma grande parte de suas jóias, incluindo o diamante azul, para sua neta Maria Amélia. Em 1722, esta se casou com o príncipe bávaro Carlos Alberto, futuro imperador Carlos VII. Com este casamento, o diamante passou a fazer parte da Casa de Bavária e recebeu o nome Wittelsbach, um dos sobrenomes da família. Logo após o casamento, o sogro de Maria Amélia, eleitor da Bavária, em grandes apuros financeiros, usou o diamante como garantia de um empréstimo junto a um banqueiro chamado Oppenheimer. Após a morte de seu pai, o imperador Carlos VII reaveu o diamante, pelo qual tinha grande predileção. O imperador mandou refazer várias vezes o design da peça onde o diamante se encontrava. Sendo cada um mais espetacular do que o anterior.

O reino da Bavária foi abolido em 1918, quando esta região da Alemanha atual tornou-se uma república. Último de uma longa sucessão de duques reinantes, o duque Luís III foi forçado a abdicar e retirar-se para a Hungria, onde morreu em 1921. Seu funeral em Munique foi a última vez em que o diamante Wittelsbach acompanhou um monarca. Com o fim do reinado bávaro, todas as possessões da antiga Casa de Wittelsbach foram colocadas sob o controle da nova república. Mas em 1931, um acordo permitiu que algumas jóias fossem a leilão pela Casa Christie`s e o dinheiro resultante fosse para os descendentes do falecido Luís III. O leilão foi efetuado em 1931, compreendendo 13 lotes de peças, incluindo o diamante azul, que foi arrematado por um comprador de sobrenome Thorpe por 5.400 libras esterlinas, valor considerável na época. O diamante foi vendido novamente em 1951 e, logo depois, em 1955. Poucos anos mais tarde, em 1962, o Wittelsbach foi exibido na Feira Mundial de Bruxelas, Bélgica. Em 1964, o diamante trocou de mãos novamente.E, em 2008, foi colocado para ir a leilão na Casa Christie's de Londres. O diamante foi vendido em 10 de dezembro de 2008 por 24,16 milhões de dólares , preço que estabelece um recorde na venda de diamantes em leilão.


22/10/2008

Benvenuto Cellini


Foto Kunsthistorisches Museum, Viena

Cellini nasceu em 03 de novembro de 1500 em Florença, e desde cedo decidiu tornar-se um ourives. Aos 14 anos, começou a estudar no atelier do pintor Filippino Lippi, onde aprendeu a principal regra da Escola Florentina renascentista: o design tinha que ser a base de toda obra de arte. Devia servir para planejar o trabalho em todos os mínimos detalhes antes da execução da obra, desde os elementos decorativos até as soluções técnicas. Ele admirava acima de tudo os trabalhos de Miguelangelo e Leonardo da Vinci, e dizia que se estes fossem colocados juntos, lado a lado, representariam o que de melhor se poderia fazer em arte no mundo. Cellini almejava a excelência artística. Para usar um conceito da sua época, deseja tornar – se “universal".
Aos 19 anos, Cellini mudou-se para Roma. Foram anos de grande produtividade: medalhões em ouro talhado com cenas da mitologia grega, um botão para o manto do Papa Clemente VII, e belíssimas moedas e jóias para a corte papal e também para vários nobres romanos. Depois de um curto período em Florença, devido a desentendimentos com o Papa, retornou a Roma, onde continuou a atender uma rica clientela e acumular considerável fortuna pessoal. Com a morte do Papa Clemente VII, o novo Papa Paulo III encomendou à Cellini uma capa em ouro trabalhado e pedras preciosas para o Livro de Orações, presente papal ao Imperador Carlos V. Apesar das encomendas na corte papal, Cellini desentendeu- se em Roma novamente. Viajou para Paris, onde tentou, em vão, entrar para o serviço do rei Francisco I, conhecido por ser um grande mecenas.
Depois do seu novo retorno a Roma, em outubro de 1538 foi preso no Castelo Sant’Ângelo sob a alegação, provavelmente falsa, de que tinha roubado gemas preciosas da tiara papal. Em 1539, Cellini é libertado da prisão através da intervenção do rei francês Francisco I, que lhe oferece os mesmos termos de trabalho que havia oferecido anteriormente a Leonardo Da Vinci.
À serviço de Francisco I, Cellini pôde finalmente realizar sua ambição: além de ourives, ser um mestre na arte da escultura. Mas apesar de trabalhar em excelentes condições para o rei francês, foi irresistível para Cellini retornar à sua cidade natal: queria ter chance de provar sua excelência como escultor e conquistar assim o direito de fazer parte dos mestres da arte escultórica, na tradição de Donatello e Miguelangelo. Da sua genialidade surgiram então várias esculturas, algumas monumentais, a maioria considerada obras-primas.
Escreveu em 1559 a sua autobiografia, intitulada “A Vida de Benvenuto Cellini" e, a partir de 1565, começou a escrever seus dois famosos tratados: “Tratado sobre Ourivesaria" e o “Tratado sobre a Arte da Escultura". Seus últimos anos em Florença foram amargos e solitários e, ao morrer em 1571, deixou todas as obras encontradas em seu estúdio para o filho do duque florentino Cosme I de Médicis, Francisco I.
Apesar de ter produzido muito como ourives durante toda a sua vida, um dos poucos trabalhos de Cellini que chegaram até os nossos dias foi o famoso "Saleiro" feito para Francisco I, atualmente no museu Kunsthistorische de Viena, Áustria. Cellini o descreve assim em sua autobiografia: “É oval na forma e tem por volta de duas terças partes do comprimento de um braço. Toda a peça foi trabalhada com um cinzel. Eu retratei Netuno e a Terra, sentados em lugares opostos e com as pernas entrelaçadas. As ondas da água foram belamente esmaltadas na sua cor natural. A Terra está representada pela figura de uma linda mulher que segura a cornucópia em sua mão. Ela está completamente nua, assim como Netuno. Eu fixei a peça em uma base de ébano, a qual decorei com quatro figuras douradas em alto relevo. Estas quatro figuras representam a Noite, o Dia, o Anoitecer e o Amanhecer
”.